TARIFA DOS EUA AMEAÇA EXPORTAÇÃO DE FRUTAS E TRAVA EMBARQUE DE 77 MIL TONELADAS
TARIFAÇO DE TRUMP PODE IMPACTAR VENDAS DE SUCO DE LARANJA, CAFÉ, FRUTAS
20/07/2025 às 22h49
Por: RedaçãoFonte: 180graus.com
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Tarifa dos EUA ameaça exportação de frutas e trava embarque de 77 mil toneladas
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Tarifa dos EUA ameaça exportação de frutas e trava embarque de 77 mil toneladas
A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, com vigência a partir de 1º de agosto, acendeu um sinal de alerta no setor de fruticultura nacional. Estima-se que cerca de 77 mil toneladas de frutas, já preparadas para exportação, estão agora sem destino definido, comprometendo a logística e ameaçando a estabilidade de produtores e trabalhadores, especialmente no Nordeste.
O impacto atinge diretamente frutas como manga (36,8 mil t), uva (13,8 mil t) e produtos processados, como açaí (18,8 mil t), além de outras variedades (7,6 mil t), que tinham como principal destino o mercado norte-americano. Com a nova alíquota, cerca de 2.500 contêineres prontos para embarque estão estacionados, aguardando uma definição que ainda não chegou.
Foto: diapicard por Pixabay
A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, com vigência a partir de 1º de agosto, acendeu um sinal de alerta no setor de fruticultura nacional. Estima-se que cerca de 77 mil toneladas de frutas, já preparadas para exportação, estão agora sem destino definido, comprometendo a logística e ameaçando a estabilidade de produtores e trabalhadores, especialmente no Nordeste.
O impacto atinge diretamente frutas como manga (36,8 mil t), uva (13,8 mil t) e produtos processados, como açaí (18,8 mil t), além de outras variedades (7,6 mil t), que tinham como principal destino o mercado norte-americano. Com a nova alíquota, cerca de 2.500 contêineres prontos para embarque estão estacionados, aguardando uma definição que ainda não chegou.
Produtores do Vale do São Francisco — uma das principais regiões exportadoras do país — alertam para o risco de desemprego em massa e queda significativa nos investimentos, caso o cenário não se reverta. Segundo representantes do setor, o desvio da produção para o mercado interno pode provocar uma queda abrupta nos preços, tornando a operação inviável financeiramente.
Outro segmento duramente atingido é o de suco de laranja, que sofre com aumento de 533% nas tarifas. A medida pode tornar as exportações totalmente inviáveis e comprometer parte expressiva da cadeia produtiva.
O governo brasileiro tenta negociar com Washington um adiamento de 90 dias para a entrada em vigor da tarifa, mas, até o momento, não houve resposta formal por parte da administração norte-americana. Enquanto isso, produtores enfrentam incertezas que podem comprometer toda a safra destinada ao exterior.
A manga é o principal produto in natura exportado pelo Brasil para os EUA e está no centro da crise. A janela de embarques ocorre entre agosto e outubro — exatamente no início da aplicação da nova tarifa.
“Não podemos colocar essa manga no Brasil, porque vai colapsar o mercado. Então, urge uma definição, urge o bom senso, urge a flexibilidade, urge um pensamento global, um pensamento geral, para que não tenhamos que deixar manga no pé, com desemprego em massa”, diz Guilherme Coelho, presidente da Abrafrutas.
“Agora nós estamos bastante inseguros. Porque, infelizmente, a essa altura não podemos pegar essa manga e jogar na Europa. O preço vai desabar, não há logística para isso”, completa Coelho.
A Abrafrutas alerta ainda que o segundo semestre, período historicamente responsável pelo maior volume de receitas da fruticultura, corre risco de se transformar em um período de colapso financeiro para os exportadores.
O impacto da nova tarifa atinge também a indústria de suco de laranja. Dados da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos) indicam que, na safra 2024/2025, o Brasil exportou 305 mil toneladas de suco de laranja para os EUA, gerando mais de US$ 1,3 bilhão em receitas. Com o aumento de 533% na taxação, a continuidade das vendas ao segundo maior mercado comprador se torna inviável. A cadeia produtiva é especialmente afetada agora, no início da nova safra.
Diante do cenário, o governo brasileiro orientou empresas a mobilizarem seus compradores nos EUA e busca negociar com a administração de Donald Trump o adiamento da tarifa por pelo menos 90 dias.
Carne bovina
Os Estados Unidos são o segundo maior comprador da carne bovina brasileira, atrás apenas da China, que concentra 49% do total embarcado pelo Brasil.As empresas estadunidenses são responsáveis por 12% das exportações do produto brasileiro e, entre março e abril, elas adquiriram volumes recordes de carne bovina, acima de 40 mil toneladas por mês, o que pode indicar uma possível movimentação de formação de estoque diante do receio de que Trump viesse a aumentar as tarifas para o comércio exterior. São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul são os estados brasileiros, respectivamente, que mais têm escoado carne aos EUA.
Nos últimos meses, no entanto, houve redução no volume exportado para os Estados Unidos, enquanto os embarques para a China vêm crescendo. Em junho, especificamente, vários outros parceiros comerciais também aumentaram suas compras na comparação com maio. Segundo o Cepea, isso sinaliza que os frigoríficos brasileiros têm possibilidade de ampliar suas vendas para outros mercados.
Por:José Carlos
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