
Com um tempo instável, dificuldades geográficas e uma possível ajuda internacional, o governo das Maldivas iniciou hoje, sexta-feira (15), uma força-tarefa para tentar resgatar os corpos de um grupo de cinco mergulhadores italianos que morreram na quinta-feira (14), durante um mergulho em uma caverna subaquática profunda.
De acordo com autoridades italianas, acredita-se que os mergulhadores tenham morrido enquanto tentavam explorar cavernas submarinas a cerca de 50 metros de profundidade no Atol de Vaavu. O governo local estima que este foi o pior acidente de mergulho já registrado nas Maldivas.
Mobilizando barcos, aeronaves e equipes de mergulho para vasculhar a área, o trabalho foi classificado como de “alto risco” pelas equipes locais, já que envolve áreas submarinas onde nem sequer os mergulhares de resgate se atrevem à ir.
Crédito,Instagram/Universidad de Génova/Albatros Top Boat
Legenda da foto,Entre os mortos estão Giorgia Sommacal (à esquerda); sua mãe, Monica Montefalcone (centro), e o instrutor de mergulho Gianluca Benedetti
“A caverna é tão profunda que mergulhadores, mesmo com os melhores equipamentos, não se aventuram a entrar”, declarou o porta-voz da presidência das Maldivas, Mohamed Hussain Shareef.
Temerosos com a situação, autoridades Maldivas cogitam a possibilidade de solicitar ajuda internacional para o resgate.
Na quinta-feira, um dos mergulhadores já foi encontrado sem vida, mas os outros quatro permaneciam desaparecidos até a última atualização desta reportagem. Durante a primeira rodada de buscas não foi possível localizar outros corpos. Segundo as autoridades, a maior possibilidade é que eles estejam justamente na caverna de difícil acesso.
Nesta manhã, mergulhadores fizeram um primeiro mergulho para avaliar o acesso à caverna, mas as condições climáticas adversas atrasaram a operação.
O embaixador da Itália nas Maldivas estava a bordo de uma das embarcações de busca e o Ministério das Relações Exteriores da Itália informou que um especialista italiano estava auxiliando a Guarda Costeira e os navios das Maldivas na operação de busca.
O grupo de turistas italianos realizava um mergulho pela manhã nas proximidades de Alimathaa, uma das ilhas das Maldivas, quando desapareceu. Segundo relatos iniciais, eles não retornaram à superfície até o meio-dia de quinta-feira, o que levou ao acionamento das buscas.
No momento do acidente, as condições climáticas eram consideradas adversas e havia um alerta amarelo para mau tempo em vigor na região.
“Após um acidente ocorrido durante uma excursão de mergulho, cinco cidadãos italianos morreram no Atol Vaavu, nas Maldivas”, informou o Ministério das Relações Exteriores da Itália em comunicado divulgado na quinta-feira.
As vítimas identificadas são Monica Montefalcone, professora associada de Ecologia da Universidade de Gênova; sua filha, Giorgia Sommacal, estudante de Engenharia Biomédica; Muriel Oddenino di Poirino, pesquisadora de Turim; Gianluca Benedetti, instrutor de mergulho de Pádua; e Federico Gualtieri, também instrutor de mergulho e recém-formado em Biologia Marinha e Ecologia pela Universidade de Gênova.
Os nomes foram divulgados pela agência de notícias italiana Ansa. O governo italiano informou ainda que a Embaixada da Itália no Sri Lanka entrou em contato com os familiares das vítimas e oferece assistência consular.
Formadas por 1.192 ilhas de coral distribuídas ao longo de cerca de 800 quilômetros no Oceano Índico, as Maldivas são conhecidas como um dos principais destinos de turismo de luxo do mundo. O arquipélago também atrai mergulhadores por seus resorts isolados e embarcações especializadas em expedições subaquáticas com hospedagem a bordo.
ENTENDA:
A Universidade de Gênova identificou entre as vítimas a professora Montefalcone, sua filha Giorgia Sommacal, que também era estudante, a pesquisadora Muriel Oddenino e o graduado em biologia marinha Federico Gualtieri.
A quinta vítima foi identificada como o gerente de operações da embarcação e instrutor de mergulho Gianluca Benedetti.
Em um comunicado publicado no X, a universidade expressou suas "mais profundas condolências" às vítimas.
O marido de Monica Montefalcone, Carlo Sommacal, declarou ao jornal italiano La Repubblica que sua esposa era "uma das melhores mergulhadoras do mundo".
Sommacal descreveu Montefalcone como "preparada e meticulosa", e acrescentou que ela "jamais teria colocado em risco a vida de nossa filha [Giorgia] nem a de mais ninguém".
"Talvez um deles tenha tido algum problema, talvez com os cilindros de oxigênio, não tenho a menor ideia", acrescentou.
As causas do acidente ainda aguardam confirmação, mas o instrutor de mergulho Maurizio Uras sugeriu que a "toxicidade por oxigênio" pode ter sido um fator contribuinte.
"É um fenômeno que pode ocorrer quando se mergulha a grande profundidade", declarou à agência de notícias italiana Agi. "Se a mistura de oxigênio for inadequada, este pode se tornar tóxico a certas profundidades".
"As condições meteorológicas também são um fator importante, e devemos levar em conta que o Oceano Índico não é o Mediterrâneo, que é relativamente tranquilo", acrescentou, apontando que no Índico "há correntes fortes que, imagino, podem arrastar de um lado para o outro. Um perigo real".
Os acidentes de mergulho são relativamente raros nas Maldivas, embora nos últimos anos tenham sido registradas várias mortes.
Em dezembro passado, uma mergulhadora britânica experiente morreu afogada em um incidente de mergulho em frente ao complexo turístico de Ellaidhoo. Seu marido morreu cinco dias depois, após adoecer.
Em 2024, um parlamentar japonês morreu enquanto praticava snorkel no atol de Lhaviyani.
Por: José Carlos
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