Com mais essa blindagem proporcionada pelo Supremo Tribunal Federal, “Cavalo” não precisa assinar documento se comprometendo a dizer a verdade, pode ficar em silêncio e até mentir, sem o risco de ser preso.
O depoimento de Milton Cavalo foi solicitado em dez requerimentos, inclusive do líder da oposição no Senado, Rogerio Marinho (PL-RN), que lembra o fato de que o Sindnapi, vinculado à Força Sindical, está entre as entidades mais beneficiadas por descontos não autorizados: embolsou mais de R$1,2 bilhão entre 2008 e 2025.
A análise técnica aponta para um conjunto robusto e convergente de irregularidades, privilégios e indícios de favorecimento institucional que exigem esclarecimentos públicos e imediatos por parte da entidade”.
Antes do depoimento, está prevista a análise de 78 requerimentos de parlamentares que compõem a CPMI. As solicitações incluem pedidos de informações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), quebras de sigilo bancário e fiscal, convocações e convites.
Relatórios de inteligência financeira recebidos pela CPMI apontam que o Sindnapi movimentou R$ 1,2 bilhão entre 2019 e 2025, entre créditos, débitos e operações em dinheiro vivo, por meio da Coopernapi, que funciona como uma espécie de agência bancária dentro do prédio do sindicato.
Além disso, o Sindnapi teria pago pelo menos R$ 8,2 milhões a empresas de familiares de dirigentes da entidade, levantando suspeitas de favorecimento e conflito de interesses.
Embora o sindicato seja ligado a José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele não está entre os investigados e seu depoimento não foi solicitado pela CPMI.
A primeira fase da Operação Sem Desconto, em abril de 2025, revelou que sindicatos e associações de aposentados faziam descontos indevidos e sem autorização nos contracheques de beneficiários do INSS, causando prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões. As investigações apontam que muitas entidades prometiam serviços como planos de saúde e assistência jurídica sem estrutura real para cumprir essas ofertas.
A CPMI do INSS continua ouvindo autoridades e presidentes de sindicatos enquanto a Polícia Federal e a CGU aprofundam as investigações sobre estelionato, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa ligados aos descontos indevidos.
Por: José Carlos

