O carregamento brasileiro inclui 110 mil kits para tratamentos, dialisadores, cateteres e soluções essenciais para manter o atendimento aos pacientes renais. Entre as prioridades está a continuidade do tratamento para crianças e para a população idosa.
A embaixadora do Brasil na Venezuela, Glivânia Maria de Oliveira, participou do recebimento dos primeiros insumos a chegar em solo venezuelano.
Ela estava acompanhada da vice-presidenta setorial de Ciência, Tecnologia, Ecossocialismo e Saúde, Gabriela Jiménez Ramírez e o representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Armando Di Negri.
O carregamento chega ao país menos de 48 horas depois de o governo brasileiro anunciar um plano de envio de 100 toneladas de medicamentos e insumos diversos.
Com doações de hospitais universitários e filantrópicos de todo o Brasil, a ação só foi possível porque o Brasil possui estoques seguros para esse tipo de tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS).
Na pandemia da Covid-19, a Venezuela disponibilizou 130 mil metros cúbicos de oxigênio ao Brasil, para diminuir os impactos da falta de respiradores no Amazonas.
Segundo Caracas, esse plano de contingência foi fundamental para evitar a interrupção dos serviços de diálise em todo o país. Assim, a chegada do carregamento brasileiro fortalecerá significativamente essas reservas, garantindo a continuidade dos programas de atendimento gratuito em hospitais públicos venezuelanos.
Assim, o ministro da Saúde do governo Lula, Alexandre Padilha, enviou uma carta ao governo venezuelano destacando sua firme rejeição às ações violentas que colocaram mais de 16 milhões de cidadãos venezuelanos em risco.
Padilha enfatizou que “a saúde se defende em soberania” e que “nenhuma nação latino-americana deve ser deixada à deriva diante de ataques desumanos”. O ministro ainda lembrou do apoio venezuelano ao Brasil durante a crise de oxigênio na pandemia de covid-19: “a Venezuela nos disponibilizou 130 mil metros cúbicos de oxigênio para o tratamento dos nossos cidadãos, diante de uma crise por uma má gestão do governo passado”.
De mesmo modo, o ministro esclareceu que a assistência prestada pelo Ministério da Saúde ao país vizinho não compromete o atendimento interno no Brasil, mas sim representa um “esforço conjunto” possibilitado pela doação de hospitais universitários e filantrópicos de todo o país.
Por sua vez, o governo da Venezuela denunciou o ataque norte-americano “como um ataque deliberado contra o coração do sistema nacional de saúde” e não como “um erro de cálculo”. As autoridades venezuelanas detalharam a ofensiva como “uma agressão criminosa destinada a interromper tratamentos vitais para pacientes com doenças crônicas, numa tentativa de provocar um colapso social através do terror”
Por: José Carlos
Fonte: Opera Mundi