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GOVERNO DE PORTUGAL ABRE AS PORTAS À ENTRADA DE IMIGRANTES PARA AJUDAR NA RECONSTRUÇÃO DAS CIDADES AFETADAS PELAS ENCHENTES

PRESIDENTE DEFENDE CANAL DE ENTRADA DE IMIGRANTES PARA RECONSTRUÇÃO DE CIDADES

07/02/2026 às 22h20
Por: Redação Fonte: Mundolusiada.com
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GOVERNO DE PORTUGAL ABRE AS PORTAS À ENTRADA DE IMIGRANTES PARA AJUDAR NA RECONSTRUÇÃO DAS CIDADES AFETADAS PELAS ENCHENTES

Presidente defende “canal de entrada” de imigrantes para reconstruir zonas afetadas por tempestade

O Presidente português defendeu esta semana a abertura de “um canal de entrada” de imigrantes para dar resposta à falta de mão-de-obra para reconstruir as zonas afetadas pela tempestade Kristin, que atingiu Portugal há uma semana.

O primeiro-ministro apresentou no domingo um pacote de ajuda destinado às famílias e empresas afetadas pela tempestade, mas as vítimas têm alertado para a falta de pessoal para avançar com as obras, disse Marcelo Rebelo de Sousa durante uma visita a uma empresa em Soure inaugurada no início de janeiro e devastada 15 dias depois pela tempestade.

“Tem de se encontrar uma solução. Acho que o Governo vai pensar em abrir uma via, um canal de entrada de mão-de-obra especialmente vocacionada para este tipo de desafio”, disse o chefe de Estado, defendendo que não se trata de “haver vontade”, mas sim da necessidade de resolver “um problema”.

Pessoas deslocadas devido ao mau tempo num centro de acolhimento, em Santarém, 06 de fevereiro de 2026. Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também algumas centenas de feridos e desalojados. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Marcelo disse ter ouvido já várias pessoas com a mesma preocupação: “Um dos problemas levantado por vários empresários e setores afetados, até instituições como os bombeiros, foi dizerem-me que tudo isto é muito bonito, mas é preciso haver mão de obra para o fazer”.

Sobre se o pacote apresentado no domingo será suficiente para responder às necessidades, voltou a defender que tudo depende da execução e dos montantes envolvidos: “É importante que a máquina funcione bem e depois que haja rapidez” na resposta.

Na quarta-feira, Marcelo começou o dia no posto de comando de Ourém, onde contactou com populares à procura de material de construção para reparar as suas casas, como Florinda Verdasca, que aos 83 anos disse à Lusa não ter memória de “uma tempestade com a força” de Kristin.

Enquanto isso, num outro edifício, uma equipe da proteção civil recebia outros populares com outro tipo de pedidos, como o senhor João que garantiu ter todo material necessário e precisar apenas de ajuda para voltar a ligar a energia.

Depois de Ourém, segui para Pedrogão Grande e terminou o dia em Soure.
Poucos minutos antes de a comitiva chegar, Carlos Sousa voltou a ter luz depois de “uma semana às escuras”.

À entrada de Soure, na Rua de São Pedro, no Pateão, a sua casa e a da vizinha eram hoje ao inicio da tarde as únicas que continuavam sem energia. “Os vizinhos têm luz desde sábado, mas nós só agora é que vamos conseguir”, contou à Lusa o estofador que teve o negócio parado por falta de energia.

“Estamos numa luta poste a poste”, contou o presidente da Câmara Municipal de Soure, Rui Fernandes, referindo-se à reposição de eletricidade durante uma reunião Serviço Municipal da Proteção Civil, onde esteve Marcelo Rebelo de Sousa, o secretário de estado Rui Rocha e vários responsáveis locais.

Na Proteção Civil, Marcelo Rebelo de Sousa inteirou-se da situação na região. O Presidente da República visitou Soure e esteve em vários pontos junto ao rio, contando aos jornalistas que provavelmente dentro de poucas horas aquela zona “será outro mundo”.

Emigrantes

Ontem, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, apelou aos emigrantes portugueses que trabalhem na construção civil para regressarem a Portugal e ajudarem na reconstrução das infraestruturas danificadas pelas depressões Kristin e Leonardo.  

“O Governo português pede à nossa comunidade emigrante, àqueles que têm competências nas áreas da construção civil, sobretudo a esses, que a melhor ajuda é virem para Portugal ajudar nesta recuperação”, afirmou hoje à agência Lusa, durante uma visita a Londres.

Emídio Sousa salientou que o objetivo “não é para virem fazer gratuitamente esses trabalhos”, pois “nós temos o dinheiro”, numa referência aos 2,5 mil milhões de euros anunciados pelo Governo de apoio aos afetados, além dos pagamentos a cargo das seguradoras. 

O secretário de Estado sublinhou a escassez de mão-de-obra nacional para reparar infraestruturas públicas, fábricas e habitações, e admitiu que esta até pode ser uma “oportunidade de negócio” a aproveitar por empresas em países europeus com menor volume de trabalho nos primeiros meses do ano, citando países como França, Suíça, Luxemburgo, Alemanha ou Inglaterra. 

O governante vincou que os processos terão de ser transparentes e íntegros para as despesas serem reembolsadas pelo Estado, mas mostrou disponibilidade do Governo para “agilizar” alguma burocracia que surja de empresários que tenham atividade noutro país. 

“Portugal neste momento tem fundos disponíveis para pagar estes trabalhos. Naturalmente que há um processo burocrático de faturação, de impostos. Nós teremos as estruturas de missão do Governo português que estão disponíveis para agilizar procedimentos e apoiar em alguma dificuldade que exista”, vincou.

Emídio Sousa disse acreditar “muito na boa vontade dos portugueses”, mas pediu “prudência” no apoio a ações de recolhas de fundos por financiamento coletivo [crowdfunding] na Internet. 

Àqueles que queiram ajudar financeiramente, sugeriu que procurem instituições de âmbito social, como lares de idosos ou corporações de bombeiros que tenham sofrido estragos nas suas instalações, ou obtenham informação fiável junto de autarquias. 

A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 de fevereiro para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.

“Garantimos assim, de facto, a continuação da mobilização de todos os meios da proteção civil, dos bombeiros, dos militares, das forças de seguranças, dos departamentos de saúde, de segurança social, de apoio psicológico, dos sapadores florestais, das autarquias locais. Só juntos, com todo o contributo, que tem sido absolutamente inexcedível de todas estas entidades, e também de muitas pessoas, de muitos voluntários, só com esse esforço conjunto é possível enfrentar uma adversidade como aquela que temos pela frente”, declarou o primeiro-ministro.

No Palácio de São Bento, o chefe do Governo assegurou ainda, no que diz respeito aos apoios prometidos às populações e empresas afetadas pelas sucessivas tempestades que assolaram o país, o lançamento de um site - apoioscalamidade.gov.pt - onde são agregadas as diferentes formas de ajuda disponibilizadas pelas entidades públicas.

Para fazer face às "dificuldades" que, reconheceu, muitos cidadãos estão a enfrentar atualmente, recordou que foi anunciado um "pacote global de apoio de cerca de 2.500 milhões de euros", no contexto do qual "vários desses apoios já estão disponíveis".

"Os apoios de 10 mil euros à reconstrução das casas já estão abertos e acessíveis, seja para as obras de reconstrução até cinco mil euros, onde basta um registo fotográfico para que o procedimento possa seguir", mas também para as de valor superior, onde estão a ser agilizadas as equipas no terreno - a chamada Estrutura de Missão para a Recuperação das Zonas Afetadas pela depressão Kristin ou as autoridades locais - para que possa ser feita, rapidamente, "essa fiscalização".

Já no que diz respeito ao "apoio financeiro de urgência a quem perdeu rendimento, que pode atingir 12.900 euros num ano", esse "chegará às famílias, o mais tardar, até à próxima segunda-feira".

Por outro lado, as linhas de crédito para a reconstrução e a tesouraria das empresas, "num montante de 1.500 milhões de euros, estão já operacionais desde ontem", tendo sido já recebidas as candidaturas de 825 empresas, "para apoios que ascendem a mais de 204 milhões de euros". Há também "cerca de 1.100 candidatos" no que diz respeito às ajudas prometidas para os agricultores, num valor total de "mais de 84 milhões de euros".

 

Por: José Carlos

Fonte:MundoLusiada.com

 

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