Analista avalia movimento do mercado. Foto: Amanda Perobelli/Reuters
O Solis Pioneiro, primeiro Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) para o público de varejo, começou a ser oferecido em outubro na plataforma de investimentos Íon, do Itaú.
O movimento acontece à medida que cresce a procura por alternativas aos instrumentos de crédito privado, como debêntures.
O Pioneiro estreou no mercado em junho e já captou R$ 85 milhões entre 1,5 mil cotistas.
O FIDC tem gestão da Solis Investimentos, especializada no setor e que tem R$ 17,6 bilhões sob gestão. Ela cuida de 16 mil cotistas.
Segundo o sócio-diretor na Solis, Ricardo Binelli, o FIDC tem uma combinação atrativa de rentabilidade e risco, em particular para investidores que tenham disposição para diversificar o patrimônio com uma aplicação de prazo maior.
Por um lado, a rentabilidade dos fundos reflete mais de perto os juros da economia real porque incluem recebíveis das empresas.
De outro, é menos volátil por causa da própria forma como os fundos são constituídos, já com uma margem para proteção contra risco de inadimplência.
Assim, a Solis investe em cerca 120 fundos, incluindo seus cerca de 60 e outros no mercado.
E, mesmo diante de crises como a gerada no ano passado pelas recuperações judiciais de Americanas e Light, os fundos tiveram performances resilientes.
“Logo, aquela pergunta se está na hora de investir não vale pra FIDC, que é um produto muito estável”, afirmou Binelli.
Desempenho do FIDC Solis Pioneiro
O Pioneiro vem rendendo uma média de 115% a 120% do CDI ao mês. Isso equivale a algo ao redor de 13% ao ano.
É uma rentabilidade equivalente ou superior a títulos de crédito privado, como debêntures. Investidores, porém, vêm procurando opções a debêntures ou emissões como certificados de recebíveis imobiliários (CRI) ou do agronegócio (CRA), cujos prêmios sobre os títulos públicos caíram nos últimos meses.
Por outro lado, o FIDC tem um prazo de D+60, ou seja, o resgate acontece dois meses após o pedido pelo cotista.
Enquanto isso, a taxa de administração total, incluindo remuneração de administrador, custódia e distribuição, é de 1,3%.
O produto permite investimento a partir de R$ 100. O FIDC é levado ao mercado por meio do BTG Pactual. Mas a Solis negocia com outras instituições para distribuição do produto nos próximos meses.
Entenda | O que é FIDC?
FIDCs são veículos de investimento com lastro em recebíveis de empresas (duplicatas, cheques e recebíveis de cartão de crédito, por exemplo);
Nesse desenho, a empresa vende um produto a prazo para o consumidor. Ela então vende o direito ao pagamento futuro a que tem direito para um FIDC;
O FIDC então antecipa o recebimento destes recursos, em troca de um taxa de desconto que, por outro lado, remunera os investidores do fundo;
Assim, o investidor fica indiretamente exposto ao risco de a empresa não receber as prestações futuras;
O gestor pode direcionar parte dos recursos para outros ativos, como títulos públicos, mas pelo menos metade do patrimônio tem que ser aplicada em direitos creditórios.
Os FIDCs existem desde 2001, mas eram restritos ao público com pelo menos R$ 1 milhão para investir. Atualmente, há 284 deleslistados na B3.
No fim de 2023, contudo, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mudou a regulação, permitindo a distribuição também entre investidores de varejo.
Cerca de seis meses depois, a Solis lançou o FIDC Pioneiro.
Para este público, no entanto, o fundo só pode incluir cotas seniores, o significa um nível de risco menor.
Além disso, o Pioneiro só aplica recursos em FIDCs que tenham rating de uma agência de classificação de risco.
Ademais, neste caso a Solis só aplica em fundos que têm crédito ‘performado’, ou seja, o recebível refere-se a um produto vendido ou serviço já prestado, o que reduz o risco de calote.
Por fim, dependendo da composição da carteira, como é o caso do Pioneiro, o fundo é isento do come-cotas, a impopular cobrança antecipada de Imposto de Renda (IR), que ocorre em alguns tipos de fundos de investimentos.
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