
O dólar à vista operava em queda em relação ao real nesta sexta-feira (24), ampliando a queda da semana, uma vez que os investidores reagiam positivamente a comentários na véspera do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sinalizaram uma política comercial mais branda no país.
A moeda reagia especialmente a declarações de Trump sobre a possibilidade de realização de acordo comercial com a China. O presidente dos Estados Unidos, disse que sua conversa com o presidente da China, Xi Jinping, na semana passada, foi amigável e que ele acredita que pode chegar a um acordo comercial com o gigante asiático.
Qual é a cotação do dólar hoje?
Às 14h14, o dólar à vista caía 0,75%, aos R$ 5,882 na compra e R$ 5,883 na venda. O dólar para fevereiro na B3 — atualmente o mais líquido — caía 0,66%, aos 5.895 pontos.
Na quinta-feira, o dólar à vista fechou em queda de 0,35%, a 5,9255 reais — a menor cotação desde 27 de novembro do ano passado, quando encerrou em 5,9141 reais.
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Na cena doméstica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, sobe 0,11% em janeiro, sobre alta de 0,34% no mês anterior. Economistas consultados pela Reuters projetavam uma queda de 0,03% nos preços na base mensal e uma alta de 4,36% em 12 meses.
O real se beneficia também do déficit em conta corrente em dezembro e 2024 no País abaixo da mediana das projeções do mercado, enquanto os resultados do Investimento Direto no País (IDP) de US$ 2,765 bilhões em dezembro e de US$ 71,070 bilhões em 2024 superaram as estimativas dos economistas.
Ainda está no radar uma reunião do presidente Luiz Inácio da Silva pela manhã que contará com as participações dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad; da Casa Civil, Rui Costa; e da Agricultura, Carlos Fávaro.
Ao longo da próxima semana, o foco tende a se direcionar para uma série de decisões de bancos centrais, com destaque para a reunião do Banco do Japão, na sexta-feira, que pode voltar a subir sua taxa de juros.
O Fed anuncia sua decisão na quarta-feira, com expectativa de que mantenha os juros, enquanto o Banco Central Europeu define o patamar de sua taxa na próxima quinta, quando se espera que as autoridades reduzam os custos dos empréstimos.
Na cena doméstica, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anuncia sua decisão também na quarta-feira, tendo já sinalizado na reunião de dezembro que elevará a Selic, agora em 12,25% ao ano, em 1 ponto percentual neste mês.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já afirmou anteriormente que a “barra é alta” para alterar a orientação de juros da autarquia.
Mas a baixa se seguirá ou foi apenas um respiro momentâneo? Especialistas alertam que a sustentação da moeda americana abaixo de R$ 6 dependerá da manutenção de uma política econômica clara, do fortalecimento do arcabouço fiscal nos próximos meses, da política monetária americana e da moderação nas políticas comerciais e tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que até o momento tem adotado uma abordagem mais cautelosa em relação a medidas protecionistas prometidas durante sua campanha. Essa cautela, por sinal, tem sido apontada como um fator importante para a redução da pressão sobre o real, com o mercado diminuindo os prêmios de risco das cotações.
A moeda brasileira, por sinal, seguiu a tendência de valorização observada em outras moedas emergentes, como o peso mexicano e o peso colombiano, beneficiadas pelo ambiente global mais otimista. Internamente, o mercado viu com bons olhos a apresentação de prioridades econômicas pelo governo brasileiro, incluindo propostas fiscais e tributárias, o que reduziu a incerteza. “A postura de Trump reduz as tensões globais e diminui a busca por ativos de proteção, como o dólar. Isso tende a beneficiar moedas emergentes, como o real.
As políticas comerciais do recém-empossado Donald Trump, pautadas por medidas protecionistas como o Projeto 2025, têm o potencial de impactar diretamente o dólar no cenário global, explica o professor da Fia Business School, Marcos Piellusch. A proposta inicial dos Estados Unidos para a China, no contexto das tensões comerciais, envolvia medidas agressivas, como a imposição de tarifas universais de 10% sobre todas as importações e tarifas específicas, como 25% sobre produtos do Canadá e México, além de até 60% sobre bens chineses.
O objetivo dessas tarifas, segundo o professor era fortalecer a indústria americana e reduzir déficits comerciais, incentivando a produção interna e buscando um equilíbrio maior nas relações comerciais com esses países. Ontem, porém, Trump adotou um discurso mais moderado, com a redução das tarifas sobre a China de 60% para 10%.
Essa mudança de postura, aliada à possibilidade de adiamento de outras políticas agressivas para fevereiro, contribuiu para amenizar a pressão sobre o dólar, segundo Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos. “Ele geralmente começa com medidas agressivas, para então abrir espaço para negociações tanto com seu time de governo quanto com outros países. Essa tática visa, de forma indireta, pressionar os parceiros comerciais a aceitar condições mais favoráveis aos interesses dos EUA, mas sem prolongar a tensão comercial por um período excessivamente longo”, afirma.
Embora o tarifaço possa beneficiar setores domésticos, Piellusch afirma que elas também elevam tensões comerciais e aumentam a incerteza global, o que historicamente pressiona a valorização do dólar como ativo de refúgio. “Essas políticas refletem uma abordagem mais agressiva em relação ao comércio internacional, com o intuito de proteger empregos e indústrias americanas.
O dólar pode seguir tendência de uma leve queda nas próximas semanas, com grandes eventos aguardados no cenário econômico global. É o que acredita José Faria Júnior, CEO da Wagner Investimentos. Na próxima quarta-feira, o mercado acompanhará atentamente as reuniões do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, seguidas pelo Payroll (relatório de emprego dos EUA) de janeiro, em 7 de fevereiro, e o CPI (inflação ao consumidor dos EUA) de janeiro, no dia 12.
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