Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e controlador do Grupo Record, está considerando a venda do Banco Digimais, uma instituição financeira voltada para crédito consignado e financiamento de veículos. Conforme publicado pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, após mais de uma década de envolvimento com o banco digital, Macedo busca agora potenciais interessados na aquisição da operação.
A transformação do Banco Digimais
O Banco Digimais, anteriormente conhecido como Banco Renner, foi fundado em 1981 pela família Renner, na cidade de Porto Alegre. A instituição cresceu consideravelmente quando o Grupo Record, controlado por Macedo, adquiriu 40% de suas ações em 2009. Nos anos seguintes, um ajuste na legislação brasileira permitiu que a participação acionária de Edir Macedo aumentasse para 49%. Em 2020, ele adquiriu mais um percentual, atingindo 51% e assumindo o controle total do banco. Vale ressaltar que tanto Edir Macedo quanto sua esposa, Ester Bezerra, são considerados investidores estrangeiros, devido ao fato de terem domicílio no exterior. A venda do Banco Digimais trará mudanças no modelo de negócios do banco.
Uma mudança importante ocorreu em julho de 2020, com a rebranding do banco, dissociando-o de seus antigos proprietários e da varejista Renner. O Banco Central oficializou essa transformação com o registro no Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen), marcando o nascimento do Banco Digimais que Macedo está vendendo.
Atualmente, o Banco Digimais é uma instituição estabelecida no mercado, com sete filiais em três estados brasileiros e uma base de mais de 100 mil clientes. A operação é administrada por uma equipe de cinco diretores, incluindo membros do Grupo Record, o que reforça o envolvimento do conglomerado midiático no banco.
Produtos e operações do Banco Digimais
O principal foco do Banco Digimais é o crédito consignado e o financiamento de veículos, dois setores com crescimento estável no Brasil. Além disso, a instituição oferece diversos serviços financeiros, como contas-correntes, cartões, câmbio e investimentos, consolidando-se como um player no mercado financeiro brasileiro. A venda do Banco Digimais poderá influenciar diretamente seus produtos e operações.
Nos últimos anos, porém, a lucratividade do banco tem apresentado oscilações. Em 2016, o Digimais atingiu um lucro recorde de quase R$ 1 bilhão, mas desde então, seus resultados financeiros variaram, com grandes lucros seguidos de prejuízos consideráveis.
Desafios financeiros e o desempenho recente
Os resultados financeiros recentes do Banco Digimais indicam os desafios enfrentados pela instituição. No segundo trimestre de 2023, o banco registrou um prejuízo de R$ 28,1 milhões, em contraste com o lucro de R$ 50 milhões no primeiro trimestre do mesmo ano. Essa volatilidade financeira tem sido um dos fatores que levou Edir Macedo a considerar a venda do Banco Digimais para estabilizar suas operações.
Veja a seguir uma tabela resumida dos resultados financeiros do Banco Digimais nos últimos trimestres.

Reflexo no Grupo Record
Como o Grupo Record e Edir Macedo são os principais controladores do Banco Digimais, uma eventual venda de ativos pode impactar significativamente o fluxo de caixa e o balanço financeiro do conglomerado de mídia. Se a transação financeira gerar capital suficiente, este poderá ser reinvestido na Record ou em outros negócios de Macedo. Contudo, os prejuízos recentes podem reduzir o valor da venda do Banco Digimais em uma transação futura.
O futuro do Banco Digimais
O Banco Digimais, com uma trajetória de quatro décadas, apresenta um potencial atrativo para investidores interessados no setor de crédito consignado e financiamento de veículos. No entanto, os desafios financeiros recentes exigirão uma gestão eficiente por parte dos novos controladores. A digitalização dos serviços financeiros pode ser uma estratégia promissora para revitalizar o banco e garantir sua relevância no mercado de capitais. A venda do Banco Digimais servirá para alinhar melhor esses objetivos.
“A possível venda do Banco Digimais marcará o fim de uma era sob o controle de Edir Macedo, já que a instituição fazia parte do ecossistema da Igreja Universal, oferecendo produtos financeiros voltados para os fiéis. No entanto, pelos dados financeiros e diante da concorrência crescente, parece que a fidelidade dos fiéis ao banco não é mais a mesma desde que o bispo também se tornou banqueiro. “, comentou Jackson Pereira Jr., articulista de negócios do Economic News Brasil.
Maurício Quadrado, de acordo com o LinkedIn do executivo, atuou como diretor de mercado de capitais do Bradesco, onde foi responsável pela oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês) de empresas brasileiras. Ele coordenou o processo que resultou na primeira companhia nacional a ter ações listadas na Bolsa de Nova York (NYSE), a Aracruz Papel e Celulose.
Ainda no LinkedIn, Quadrado informa que integrou o grupo que liderou diversas privatizações durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com destaque para a desestatização da Vale.
Entre 2002 e 2007, o executivo esteve à frente da corretora Planner. Depois que vendeu sua participação no Master para Daniel Vorcaro, em setembro do ano passado, Quadrado ficou com o Letsbank, subsidiária do Voiter (antigo Indusval), comprado pelo próprio Master no início de 2024.
O executivo criou o BlueBank, na Faria Lima, o centro financeiro de São Paulo, onde atua e do qual fazem parte as gestoras Macam e MAM, além das administradoras Trustee e CM Capital. A nova aquisição de Quadrado, o banco Digimais, é controlado pela BA Empreendimentos e Participações, que pertence a Edir Macedo