
Amargando um prejuízo que chegou a R$ 2,6 bilhões em 2024, os Correios divulgaram nesta segunda-feira (12) uma série de medidas para contornar o rombo no fluxo de caixa da empresa. Entre as medidas anunciadas está o incentivo à redução de jornada de trabalho com redução do salário dos trabalhadores, fim do trabalho remoto e suspensão temporária de férias.
O objetivo do plano é economizar R$ 1,5 bilhão em 2025, segundo a empresa. Para isso, os Correios esperam contar com o apoio dos cerca de 86 mil funcionários que serão atingidos diretamente pelas medidas.
“Neste momento, a contribuição de cada empregada e empregado, por menor que pareça, é valiosa. Juntos, temos todas as condições de superar os desafios e construir um futuro mais promissor e vitorioso para nossa equipe”, diz o texto.
No texto divulgado pela estatal, a justificativa para o prejuízo em 2024 está nos impactos da “queda nas receitas com encomendas internacionais” (a taxa das blusinhas), além de um aumento de despesas no período.
Entre os aumentos significativos registrados ano passado estão os custos operacionais, que passaram de R$ 15,2 bilhões em 2023 para R$ 15,9 bilhões em 2024. Esse é o maior custo anual realizado pelos Correios desde 2017, quando a empresa gastou R$ 16 bilhões, diz o texto.
A maior parte desse aumento de custos corresponde aos gastos com pessoal, que passou de R$ 9,6 bilhões em 2023 para R$ 10,3 bilhões em 2024.
No relatório de Demonstrações Financeiras, os Correios justificaram que esse aumento se deveu ao Acordo Coletivo de Trabalho assinado com mais de 80 mil empregados (R$ 550 milhões).
Além do reajuste do vale alimentação/refeição (R$ 41 milhões). Por isso, a empresa aponta a necessidade de apoio dos funcionários.
O déficit em 2024, de R$ 2,6 bilhões, é quatro vezes maior do que o registrado no ano anterior, quando o prejuízo foi de R$ 597 milhões.
Esta é a primeira vez, desde 2016, que os Correios apresentam um prejuízo bilionário em suas operações. À época, a empresa teve prejuízo de R$ 1,5 bilhão (R$ 2,3 bilhões em valores atualizados).
Entre as justificativas dadas pela empresa para o resultado negativo, está o fato de que apenas 15% das 10.638 unidades de atendimento terem superávit — quando as receitas são maiores do que as despesas.
“Ainda que 85% das unidades sejam consideradas deficitárias, os Correios garantem o acesso universal de todas e todos aos serviços postais, com tarifas justas, em cada um dos 5.567 municípios atendidos”, ponderou os Correios.
Objetivo do plano é economizar R$ 1,5 bilhão em 2025, segundo a empresa (Foto: Joédson Alves, Agência Brasil, Reprodução)
Além disso, a empresa também justificou que houve um investimento de R$ 830 milhões ao longo de 2024, totalizando R$ 1,6 bilhão desde que a nova gestão assumiu. O valor foi empregado na aquisição de novos veículos e em manutenção da infraestrutura operacional da empresa.
Outra situação que afetou os Correios em 2024 e que tem trazido problemas para a empresa neste ano é a redução da liquidez financeira da empresa.
De acordo com as Demonstrações Financeiras divulgadas na sexta-feira (9) passada, a empresa utilizou R$ 2,9 bilhões do dinheiro que estava no caixa e em aplicações financeiras, totalizando 92% do que estava aplicado em 2023.
Mín. 20° Máx. 34°