O Parlamento do Irã aprovou, nesta semana, um projeto de lei que autoriza o fechamento do Estreito de Ormuz — uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. A medida foi aprovada como forma de pressão contra países considerados hostis à República Islâmica.
O Estreito de Ormuz é responsável pelo transporte de aproximadamente 20% do petróleo comercializado no mundo. Localizado entre o Irã e Omã, a região é considerada estratégica para o comércio internacional de energia. O bloqueio pode causar sérios impactos econômicos globais, elevando drasticamente o preço do petróleo.
Desde o início das ofensivas, o preço do barril já registrou forte alta. O Brent subiu 13,5%, passando de US$ 69,36 para US$ 78,74 em apenas uma semana. O WTI também teve avanço expressivo, com alta de 10,9%. Analistas do JPMorgan alertam que, em caso de bloqueio total ou escalada no conflito, o valor pode chegar a até US$ 130 por barril.
Os Estados Unidos, que protegem a navegação comercial no estreito com apoio da 5ª Frota baseada no Bahrein, alertaram petroleiros a redobrarem a atenção. Agências marítimas globais também emitiram orientações de segurança, temendo retaliações ou confrontos na área.
A possibilidade de fechamento do Estreito já foi levantada outras vezes, como em 2019, quando Donald Trump se retirou do acordo nuclear com o Irã.
A rota é essencial para exportações de petróleo de países como Irã, Arábia Saudita, Kuwait e Catar.
Segundo dados da Vortexa, entre 17,8 e 20,8 milhões de barris por dia passam pelo estreito. Os Emirados Árabes e a Arábia Saudita já buscam rotas alternativas, e os EUA monitoram a situação com atenção máxima.
Retaliação iraniana
O ataque dos Estados Unidos ao Irã fez com que o país, neste domingo, retaliasse, lançando dezenas de mísseis contra Israel.
As ofensivas atingiram Tel Aviv, Haifa e Ness Ziona, deixando ao menos 23 feridos, segundo autoridades locais.
Imagens divulgadas por agências internacionais mostram prédios severamente danificados, principalmente na região de Ramat Aviv, em Tel Aviv.
A proposta, batizada de “Projeto de Retaliação”, é uma resposta ao apoio de países ocidentais a Israel, em meio ao atual conflito com o grupo Hamas na Faixa de Gaza. Segundo parlamentares iranianos, o objetivo é impedir o tráfego de embarcações ligadas a Israel ou a países que apoiam suas ações militares.
Localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, o Estreito de Ormuz é uma passagem fundamental que conecta o Golfo Pérsico ao Mar de Omã. Qualquer interferência nesse corredor afeta diretamente os mercados de energia em todo o mundo, podendo provocar aumento nos preços do petróleo e do gás natural.
A decisão ainda precisa passar por outras instâncias antes de ser colocada em prática, e o governo iraniano não informou quando ou como a medida poderá ser efetivamente implementada.
Analistas internacionais acompanham o caso com atenção, alertando para os riscos de uma escalada de tensões no Oriente Médio, especialmente se a navegação no estreito for, de fato, interrompida.
Editado por: José Carlos
