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TRUMP VOLTA A AMEAÇAR O IRÃ COM MUDANÇA DE REGIME E TENSIONA CONSELHO DA ONU

EUA VOLTA A AMEAÇAR O IRÃ

22/06/2025 às 21h05
Por: Redação Fonte: DCM
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TRUMP VOLTA A AMEAÇAR O IRÃ COM MUDANÇA DE REGIME E TENSIONA CONSELHO DA ONU

Trump volta a ameaçar o Irã com mudança de regime e tensiona Conselho da ONU

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: Jim Watson/AFP

Um dia após bombardear o Irã, o presidente Donald Trump elevou o tom e sugeriu, neste domingo (22), uma possível mudança de regime em Teerã. “Se o atual regime iraniano não é capaz de FAZER O IRÃ GRANDE DE NOVO, por que não haveria uma mudança de regime? MAGA!!!”, escreveu o republicano nas redes sociais, em referência ao seu slogan “MAGA” – “Make America Great Again” (tornar a América grande novamente). Com informações da coluna do jornalista Jamil Chade, da UOL.

A declaração pegou diplomatas de surpresa em plena reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York. A tensão cresceu mesmo após o vice-presidente JD Vance, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o secretário de Estado Marco Rubio afirmarem que os EUA não buscavam a queda do regime de Ali Khamenei.

No encontro, o embaixador iraniano Amir Saeid Iravani chamou a ofensiva americana de “brutal” e afirmou que o programa nuclear de seu país é apenas um “pretexto fabricado”. Ele acusou os EUA de agirem em defesa de Benjamin Netanyahu, que chamou de “criminoso”, e prometeu uma retaliação “proporcional”. “Vamos mostrar nossa dignidade ao mundo”, disse.

Cessar-fogo em debate e troca de acusações intensificada
Enquanto Trump provocava nas redes, a Rússia, China, Paquistão e outros países defendiam um cessar-fogo imediato entre Irã e Israel, que será votado na terça-feira (25). A proposta pressiona os EUA, que podem vetar o texto por serem membros permanentes do Conselho.

O embaixador russo Vasily Nebenzya criticou duramente os americanos: “Estão jogando com a segurança da humanidade”. Ele comparou a atual ofensiva ao caso do Iraque, em 2003, e classificou a ação como “teatro cínico do absurdo”. Segundo Nebenzya, os EUA estão prontos para qualquer crime por hegemonia, enquanto fecham os olhos para os “crimes em Gaza”.

O embaixador russo, Vasily Nebenzya. Imagem: reprodução

A China também condenou os bombardeios, alegando violação da Carta da ONU e da soberania iraniana. Propôs quatro medidas: cessar-fogo imediato, fim dos ataques a civis, compromisso com o diálogo e votação no Conselho para suspender a crise. “A paz não será pelo uso da força”, afirmou a delegação chinesa.

EUA e Israel rebatem, ONU se alarma
A embaixadora americana Dorothy Shea defendeu as ações do governo Trump e reforçou a retórica de enfrentamento: “O regime iraniano não pode ter armas nucleares”. Repetindo o tom do presidente, ameaçou: “Qualquer ataque contra americanos será respondido com retaliação devastadora”.

Israel também se pronunciou. O embaixador Danny Danon agradeceu o apoio dos EUA e acusou o silêncio de outras nações diante do programa nuclear iraniano. “São cúmplices”, afirmou. Disse ainda que Israel está pronto para novos ataques e que a responsabilidade pelas consequências está nas mãos do Irã.

ONU alerta para risco de guerra
O secretário-geral da ONU, António Guterres, criticou a escalada militar. “Há dois dias, pedi uma chance para a paz. O apelo foi ignorado”, lamentou. Guterres defendeu a retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano e alertou: “A paz não pode ser imposta”.

A ONU divulgou novos números sobre as vítimas: 433 mortos e 3 mil feridos no Irã; 25 mortos e 1.300 feridos em Israel. A maioria das vítimas são civis. “Estamos diante de uma ameaça direta à segurança internacional”, alertou Miroslav Jena, secretário-geral assistente da organização.

Europa pede diálogo; AIEA investiga danos
O Reino Unido e a França pediram que o Irã volte à mesa de negociações. A embaixadora britânica, Barbara Woodward, disse que ações militares não bastam: “Só a diplomacia pode ser solução”. O francês Jérôme Bonnafont reforçou que o Irã não pode ter armas nucleares, mas defendeu a desescalada militar.

Por fim, Rafael Grossi, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), confirmou danos nas instalações nucleares de Fordow, Natanz e Esfahan. Ele alertou que ainda não é possível mensurar a destruição subterrânea, mas disse que não houve vazamento de radiação.

 

Editado por: José Carlos

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