
Detenção domiciliar foi determinada pelo Ministério Público; ex-presidente do Banco Central também teve prisão decretada
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso nesta sexta-feira (6), em Assunção, horas depois de ser destituído pelo Senado. A ordem do Ministério Público determina que ele permaneça em prisão domiciliar até ser colocado à disposição das autoridades responsáveis pela investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo o Ueno Bank.
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A decisão também alcança o ex-presidente do Banco Central do Paraguai Carlos Dagoberto Carvallo Spalding. Diferentemente de Peña, ele deverá ficar detido em uma unidade indicada pelo Comando da Polícia Nacional. As ordens foram expedidas por promotores das unidades especializadas em Crimes Econômicos e Anticorrupção e em Crimes Informáticos.
A prisão ocorreu após o Congresso concluir o processo de impeachment. O Senado aprovou a destituição de Peña por 44 votos favoráveis e uma abstenção, depois de a Câmara dos Deputados também ter respaldado o afastamento. O vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país.
A crise política foi desencadeada pelo colapso do Ueno Bank, que teve as atividades encerradas na terça-feira (3), após o Banco Central iniciar o processo de liquidação da instituição. A autoridade monetária apontou problemas de solvência relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao banco.
A instituição, pertencente ao Grupo Vázquez, reunia cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social (IPS). A intervenção provocou apreensão entre correntistas e protestos no país.
Peña manteve participação acionária no grupo controlador do banco até março de 2025. Em declaração patrimonial apresentada em 2023, informou possuir ações da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis, além de um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis no Ueno Bank e um título da empresa de tecnologia financeira Itti. Seu irmão também aparece como sócio da U Holding SARL, apontada como uma das estruturas societárias utilizadas pelo grupo para controlar a instituição.
As acusações contra o então presidente incluem possível conflito de interesses, interferência regulatória e uso irregular de recursos públicos. Uma nova denúncia apresentada por parlamentares na quinta-feira (5) acrescentou fatos a uma representação anterior, protocolada em outubro de 2025.
Entre os pontos levantados está a atuação do Banco Central antes da liquidação. Os parlamentares afirmam que a instituição já tinha conhecimento das dificuldades financeiras do Ueno desde abril de 2026, mas não adotou as providências necessárias para evitar o agravamento da situação. Carvallo é citado na denúncia por sua responsabilidade à frente da autoridade monetária.
A representação também pede a apuração de depósitos de recursos públicos no banco. Além do IPS, aparecem entre as instituições que mantinham dinheiro na entidade financeira a usina binacional de Itaipu, compartilhada com o Brasil, a entidade binacional Yacyretá, administrada em conjunto com a Argentina, e o Ministério da Economia. Os parlamentares querem esclarecer quem autorizou as operações e se houve prejuízo aos cofres públicos ou combinação entre os responsáveis.
De acordo com o promotor Cristian Benítez, a prisão está relacionada a suspeitas dos crimes de lesão de confiança, tráfico de influência e administração para proveito próprio.
Em entrevista à imprensa local, Benítez ressaltou que os enquadramentos são preliminares. O Ministério Público ainda deverá esclarecer os fatos e as circunstâncias que fundamentam cada uma das suspeitas.
Por: José Carlos
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