
A modalidade de empréstimo estará oficialmente disponível a partir do dia 3 de novembro

O novo programa do governo federal com crédito para reforma da casa própria irá disponibilizar R$ 40 bilhões por meio da Caixa Econômica Federal. A modalidade de empréstimo, batizada Reforma Brasil, estará oficialmente disponível a partir do dia 3 de novembro. As solicitações deverão iniciar a partir de uma simulação feita no site ou aplicativo da Caixa após esta data.
“O programa preenche uma lacuna relevante. Até então, o financiamento habitacional brasileiro era voltado quase exclusivamente para a aquisição ou construção, deixando de fora milhões de famílias que têm casa própria, mas vivem em condições inadequadas”, analisa Thiago Yaak, CEO da startup Liquid, que automatiza processos de crédito imobiliário.
Entenda a seguir como vai funcionar.
O programa é destinado a moradores de áreas urbanas em capitais ou municípios com mais de 300 mil habitantes. A casa que se pretende reformar deverá ser própria e de uso residencial ou misto.
Cada família poderá ter apenas uma operação de crédito por vez, e o valor das parcelas não poderá exceder 25% na renda total familiar.
As regras sobre quantia e taxas variam conforme a faixa de renda das famílias. O programa Reforma Brasil estabelece três:
“Os recursos podem ser utilizados para aquisição de materiais, pagamento de mão de obra e serviços técnicos, como projetos e acompanhamento de obras”, explica o planejador financeiro Harion Camargo, CFP pela Planejar.
Thiago Yaak, da Liquid, adiciona que o banco deverá criar formas para conseguir fiscalizar a destinação correta dos recursos. Além disso, o empréstimo terá menos garantias do que o tradicional financiamento para aquisição do imóvel próprio.
“Como o crédito é voltado à reforma e não à aquisição, a operação muitas vezes não tem o imóvel como lastro formal. Isso eleva o risco para os agentes financeiros e exige mecanismos robustos de avaliação, monitoramento e acompanhamento técnico das obras, a fim de assegurar que o recurso foi corretamente aplicado e que o imóvel reformado de fato preserva seu valor”, diz Yaak.
Apesar de se tratar de um programa do governo, o Reforma Brasil não é um “dinheiro fácil”. “Mesmo com juros reduzidos, trata-se de uma operação de crédito — e, portanto, de endividamento”, comenta Yaak. Assim, quem deseja solicitar um financiamento, deve antes fazer uma ampla análise de suas capacidade financeira e da real necessidade do dinheiro.
“Isso inclui verificar a renda disponível, considerar dívidas existentes, manter uma reserva para imprevistos e analisar se a reforma é mais urgente do que outras demandas”, aconselha Harion Camargo. “Uma análise cuidadosa garante que o financiamento seja uma ferramenta de melhoria da moradia sem comprometer a estabilidade financeira familiar.”
“Esse país vai dar um salto de qualidade. A gente vê uma notícia no jornal de que tem milhões de casas no Brasil que não tem banheiro”, lamentou.
O presidente disse que não basta governar de Brasília. “O povo que precisa de nós não precisa de bilhões, não precisa sequer de milhões, precisa de alguns milhares de reais”, afirmou.
Lula, no evento, defendeu que as pessoas mais humildes também conseguem movimentar a economia.
“Quando a economia do bairro começa a melhorar, todo mundo quer reformar a sua casa. Tem casa com três garagens para quatro carros, para cinco carros, e muitas vezes a maioria dos pobres não tem um quarto”, citou.
Também no evento, o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Eduardo Borges da Silva, enxergou no programa um marco na construção da habitação popular nesse país.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que estava na solenidade, avaliou que o programa vai alavancar mais oportunidades para quem mora e precisa melhorar a qualidade da sua moradia.
“Para quem está com uma casa ainda por fazer, uma casa por recuperar, esses R$ 30 mil ou R$ 20 mil vão ser muito importantes para a dignidade da vida dessa família”.
Haddad argumentou que o recurso vai render na mão das famílias beneficiadas. “O Banco Central apresentou para o Conselho Monetário Nacional uma nova forma de organizar a poupança do país. A caderneta de poupança que financia habitação popular”, contextualizou.
Por: José Carlos
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